ORANGE SANDALWOOD

ORANGE SANDALWOOD

7/28/2014

UM DIA DESTES



Sabes, trago no meu peito este gosto por 

ti, por tudo aquilo que é teu, os meus 

olhos tão cheios dessa coisa tua, tão 

bonita, tão certa, e a tua beleza que 

parece querer ficar-me no olhar apenas, 

mas eu não deixo, não não não, eu quero 

toda essa beleza dentro de mim, a 

vibrar, a irradiar, a iluminar todo isto 

que sou por dentro, e por isso ando como 

louco a lembrar-me de ti, a memorizar-

te, a procura do conforto de rever-te em 

cada pormenor, em todas as coisas

pequenas, desde todos os ângulos e 

alturas, os cimos e os vales, as 

pradarias, as fontes, as chuvas, ando a 

assediar o tempo, a roubar-lhe a saúde, 

descascar essa cortiça dura que ele 

usa para te manter tão longe, e por isso 

também ando a recitar as palavras que 

não disseste ainda, e a deixar que os 

teus silêncios belíssimos descarreguem 

sobre mim a sua chuvinha fina e fresca, 

assim entretido nestas coisas, talvez 

distância fique na verdade mais curta

um dia qualquer acabe por receber a 

notícia de que o inverno passou, que já 

estás cá, e podes tomar café amanhã...?





Sándalo Naranja

1 comment:

  1. One of the best poem. Great post and i really like it. Thank you so much for the share and i like to share it my Blog too.

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